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Juiz de Fora

Margarida ganha apoio de Omar; PMDB adia decisão

postada em 08/10/2008 às 10:10
Tarcísio não decidirá apoio

Se as alianças no primeiro turno levaram semanas ou até mesmo meses para serem construídas, na segunda etapa das eleições, até por uma questão de tempo, já que as urnas voltam a se abrir daqui a 18 dias, elas estão sendo seladas em questão de horas ou, quando muito, de dias. A primeira união foi anunciada no início da tarde de ontem, menos de 48 horas após o término da primeira fase da disputa. O candidato do PV, Omar Peres, que obteve 6,25% dos votos, declarou apoio à concorrente do PT, Margarida Salomão. Já o cobiçado PMDB, que ficou em terceiro lugar na disputa, com a preferência de 20,75% do eleitorado, mesmo tendo conversado muito internamente, terminou o dia sem nenhuma definição. O clima na legenda, que iniciou uma dura fase de transição por conta do afastamento do ex-prefeito Tarcísio Delgado, é ainda muito confuso. Por ora, a única certeza, segundo o coordenador regional da sigla, João César Novais, é de que, diferente de 2004, dessa vez a militância não será liberada. “O PMDB vai ter um candidato e todos serão chamados a caminhar com o partido”.


O certo é que, mesmo tendo de ser feita a toque de caixa, a definição entre os peemedebistas deverá ser parida a fórceps. Nada tão simples como no caso do PV. Lá, a negociação foi breve e partiu do próprio Omar. “Estou aqui para apoiar a Margarida sem nenhum interesse futuro. Não discutimos propostas e nem cargos. Estou aqui porque acredito na força da renovação que a Margarida representa”. A petista, por sua vez, agradeceu o apoio e mencionou que espera contar com o empenho do ex-concorrente não só nas urnas, mas para depois ajudar a atrair recursos para o município. A formalização da aliança só não foi tão tranqüila por conta do estilo de Omar, que no primeiro turno chegou a atacar o próprio PT por ter financiado, em 2004, o ex-prefeito Alberto Bejani (sem partido). Margarida, porém, tratou de remediar o episódio: “Eu também já condenei a interferência da direção nacional do partido aqui em Juiz de Fora”.


Conversas

No PMDB, pelo menos, a agressividade do discurso não deve ser problema para uma proximidade em relação à petista ou ao tucano. Mas só isso. No mais, o que não faltam são empecilhos. A começar pela divisão interna. Dos três vereadores eleitos pelo partido, Bruno Siqueira e Júlio Gasparette estão com conversas avançadas com Custódio. José Sóter Figueirôa, por sua vez, garante que vai falar com os dois lados. O presidente Luiz Carlos de Carvalho e João César garantem que a balança ainda não pesa nem para um lado e nem para o outro. Mas, internamente, há quem garanta ter visto em ambos pelo menos reflexos da estrela do PT. Não do PT local, mas de Brasília. O mesmo acontece com o deputado Júlio Delgado (PSB), que esteve na capital ontem pela manhã e, à tarde, foi recebido pelo deputado Ciro Gomes (PSB), em Brasília.


Custódio se encontra com Aécio e muda marqueteiro

Certo de que o segundo turno em Juiz de Fora será nacionalizado, o candidato do PSDB, Custódio Mattos, não perdeu tempo e, ontem mesmo, se reuniu com o governador Aécio Neves (PSDB) em Belo Horizonte. A conversa foi rápida e, segundo tucanos de plumagem mais vistosa, rendeu bons frutos. O principal deles, ou o mais certo, é a vinda do marqueteiro Cacá Moreno para a reta final da campanha. Experimentado na disputa em Juiz de Fora, com passagem pelas campanhas de Tarcísio Delgado e do ex-presidente Itamar Franco, ele chega com carta branca e deve mudar muita coisa. Além de Cacá, quem também deve desembarcar no ninho tucano local é o ex-candidato à Prefeitura de São Paulo, Geraldo Alkmin. Já em relação ao retorno de Aécio ao município, ainda não há definição.


Enquanto Custódio ia e voltava de Belo Horizonte, o vereador e presidente do PSDB local, Rodrigo Mattos, passou o dia fazendo contato com lideranças partidárias e vereadores eleitos em Juiz de Fora. A estratégia tucana é chegar, principalmente no PMDB, por várias frentes. Além dos contatos locais e via Palácio da Liberdade, lideranças nacionais do partido também deram início a articulações em Brasília. Presidente nacional do PSDB, o senador Sérgio Guerra, que é amigo pessoal do deputado Júlio Delgado (PSB), deve entrar no circuito. O governador de São Paulo, José Serra, também já conversou com Custódio e teria demonstrado disposição inclusive para vir à cidade. O receio dos tucanos é de que uma provável vinda do presidente Lula a Juiz de Fora seja decisiva para a vitória petista.



Fonte: Tribuna de Minas - Ricardo Miranda (Foto: Antônio Olavo Cerezo)





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