Se as alianças no primeiro turno levaram semanas ou até mesmo meses para serem construídas, na segunda etapa das eleições, até por uma questão de tempo, já que as urnas voltam a se abrir daqui a 18 dias, elas estão sendo seladas em questão de horas ou, quando muito, de dias. A primeira união foi anunciada no início da tarde de ontem, menos de 48 horas após o término da primeira fase da disputa. O candidato do PV, Omar Peres, que obteve 6,25% dos votos, declarou apoio à concorrente do PT, Margarida Salomão. Já o cobiçado PMDB, que ficou em terceiro lugar na disputa, com a preferência de 20,75% do eleitorado, mesmo tendo conversado muito internamente, terminou o dia sem nenhuma definição. O clima na legenda, que iniciou uma dura fase de transição por conta do afastamento do ex-prefeito Tarcísio Delgado, é ainda muito confuso. Por ora, a única certeza, segundo o coordenador regional da sigla, João César Novais, é de que, diferente de 2004, dessa vez a militância não será liberada. “O PMDB vai ter um candidato e todos serão chamados a caminhar com o partido”.
O certo é que, mesmo tendo de ser feita a toque de caixa, a definição entre os peemedebistas deverá ser parida a fórceps. Nada tão simples como no caso do PV. Lá, a negociação foi breve e partiu do próprio Omar. “Estou aqui para apoiar a Margarida sem nenhum interesse futuro. Não discutimos propostas e nem cargos. Estou aqui porque acredito na força da renovação que a Margarida representa”. A petista, por sua vez, agradeceu o apoio e mencionou que espera contar com o empenho do ex-concorrente não só nas urnas, mas para depois ajudar a atrair recursos para o município. A formalização da aliança só não foi tão tranqüila por conta do estilo de Omar, que no primeiro turno chegou a atacar o próprio PT por ter financiado, em 2004, o ex-prefeito Alberto Bejani (sem partido). Margarida, porém, tratou de remediar o episódio: “Eu também já condenei a interferência da direção nacional do partido aqui em Juiz de Fora”.
Conversas
No PMDB, pelo menos, a agressividade do discurso não deve ser problema para uma proximidade em relação à petista ou ao tucano. Mas só isso. No mais, o que não faltam são empecilhos. A começar pela divisão interna. Dos três vereadores eleitos pelo partido, Bruno Siqueira e Júlio Gasparette estão com conversas avançadas com Custódio. José Sóter Figueirôa, por sua vez, garante que vai falar com os dois lados. O presidente Luiz Carlos de Carvalho e João César garantem que a balança ainda não pesa nem para um lado e nem para o outro. Mas, internamente, há quem garanta ter visto em ambos pelo menos reflexos da estrela do PT. Não do PT local, mas de Brasília. O mesmo acontece com o deputado Júlio Delgado (PSB), que esteve na capital ontem pela manhã e, à tarde, foi recebido pelo deputado Ciro Gomes (PSB), em Brasília.
Custódio se encontra com Aécio e muda marqueteiro
Certo de que o segundo turno em Juiz de Fora será nacionalizado, o candidato do PSDB, Custódio Mattos, não perdeu tempo e, ontem mesmo, se reuniu com o governador Aécio Neves (PSDB) em Belo Horizonte. A conversa foi rápida e, segundo tucanos de plumagem mais vistosa, rendeu bons frutos. O principal deles, ou o mais certo, é a vinda do marqueteiro Cacá Moreno para a reta final da campanha. Experimentado na disputa em Juiz de Fora, com passagem pelas campanhas de Tarcísio Delgado e do ex-presidente Itamar Franco, ele chega com carta branca e deve mudar muita coisa. Além de Cacá, quem também deve desembarcar no ninho tucano local é o ex-candidato à Prefeitura de São Paulo, Geraldo Alkmin. Já em relação ao retorno de Aécio ao município, ainda não há definição.
Enquanto Custódio ia e voltava de Belo Horizonte, o vereador e presidente do PSDB local, Rodrigo Mattos, passou o dia fazendo contato com lideranças partidárias e vereadores eleitos em Juiz de Fora. A estratégia tucana é chegar, principalmente no PMDB, por várias frentes. Além dos contatos locais e via Palácio da Liberdade, lideranças nacionais do partido também deram início a articulações em Brasília. Presidente nacional do PSDB, o senador Sérgio Guerra, que é amigo pessoal do deputado Júlio Delgado (PSB), deve entrar no circuito. O governador de São Paulo, José Serra, também já conversou com Custódio e teria demonstrado disposição inclusive para vir à cidade. O receio dos tucanos é de que uma provável vinda do presidente Lula a Juiz de Fora seja decisiva para a vitória petista.
Fonte: Tribuna de Minas - Ricardo Miranda (Foto: Antônio Olavo Cerezo)